Nos dias 31 de julho e 1º de agosto, Santarém (PA) foi sede do Seminário Nacional “Fitoterápicos e a COP30: Justiça Social, Saberes e Territórios da Floresta”, realizado no auditório do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).
O evento foi promovido pela Arquidiocese de Santarém, Cáritas, Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e o Núcleo de Promoção da Igualdade Étnico‑Racial (Nierac/MPPA), em parceria com o CEAF/MPPA e a Custódia Franciscana São Benedito da Amazônia .
O seminário teve como objetivo integrar os saberes tradicionais das comunidades amazônicas que desenvolvem o uso de plantas medicinais há gerações à medicina convencional e às políticas públicas de saúde no contexto da COP30.
A iniciativa trouxe à tona temas ligados à saúde popular, justiça social, bioeconomia e valorização da ciência territorializada .
Na cerimônia de abertura, a mesa inaugural intitulada “Vozes da Floresta e Compromissos Institucionais” foi realizada com a presença do arcebispo metropolitano de Santarém, Dom Irineu Roman.
Logo após, a mesa “Saúde Popular e Fitoterápicos no SUS” debateu a incorporação das plantas medicinais e dos fitoterápicos no sistema público de saúde brasileiro, com a participação do farmacêutico Victor Doneida, consultor técnico do Ministério da Saúde .
As oficinas realizadas simultaneamente abordaram temas como:
Bioeconomia e repartição de benefícios, discutindo governança comunitária e autonomia territorial;
Guardiões do conhecimento, voltada ao cultivo sustentável de plantas medicinais;
Reunião técnica envolvendo municípios contemplados por portaria ministerial para ampliação de Farmácias Vivas e uso de fitoterápicos no SUS com participação direta de representantes federais .
O coordenador do projeto FarmaFittos, professor Wilson Sabino (UFOPA), destacou o diálogo ético entre ciência e saberes tradicionais, com foco na escuta das comunidades e na proteção dos direitos sobre o uso do conhecimento ancestral evitando apropriação indevida e priorizando benefícios concretos às populações amazônicas .
Segundo a promotora de justiça Lilian Braga (Nierac/MPPA), o seminário reafirma a importância da valorização dos saberes locais para a promoção da saúde nas regiões amazônicas e oferece uma reflexão urgente sobre os efeitos das mudanças climáticas nos territórios da floresta .
O evento buscou promover um modelo de saúde mais inclusivo e sustentável, deixando propostas políticas e técnicas para estruturação do uso de fitoterápicos no SUS, especialmente a partir de iniciativas como o projeto FarmaFittos, que consolidam a integração entre universidade, comunidade e o sistema público .
Imagem: MPPA
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