| A infância de um garoto brasileiro era marcada por seis, sete horas seguidas de futebol. |
Eles não eram formados em centros de treinamento de última geração, nem acompanhados desde os 10 anos por empresários, assessores de imagem e equipes de marketing.
Eram moldados na rua.A infância de um garoto brasileiro era marcada por seis, sete horas seguidas de futebol.
Chão de cimento, asfalto quente, traves feitas de chinelo, bola gasta e joelhos ralados.
Jogava-se por prazer.
Pelo respeito conquistado na rua. Pela disputa entre bairros.
Pela alegria de simplesmente tocar na bola.O dinheiro existia, mas aparecia como consequência.
O sonho era outro.
Vestir a camisa do clube do coração.
Vestir a camisa do clube do coração.
Defender a Seleção Brasileira.
Ser campeão do mundo.
Quem realmente se destacava enfrentava outra maratona: ônibus lotado, trem, longas viagens até o centro de treinamento.
Quem realmente se destacava enfrentava outra maratona: ônibus lotado, trem, longas viagens até o centro de treinamento.
Nada disso era obstáculo, porque o futebol era um fim em si mesmo.
Hoje, a lógica parece invertida.
O futebol deixou de ser o objetivo e passou a ser um instrumento para alcançar outro tipo de sucesso.
Hoje, a lógica parece invertida.
O futebol deixou de ser o objetivo e passou a ser um instrumento para alcançar outro tipo de sucesso.
O sonho de muitos jovens já não é conquistar uma Copa do Mundo, mas chegar rapidamente à Europa, assinar contratos milionários, acumular seguidores, fechar campanhas publicitárias e exibir carros, relógios, mansões e uma vida de celebridade.
A geração Neymar simboliza essa transformação.
Ainda adolescente, Neymar já era uma marca global.
A geração Neymar simboliza essa transformação.
Ainda adolescente, Neymar já era uma marca global.
Antes mesmo de consolidar sua carreira profissional, já movimentava milhões em patrocínios e publicidade.
Seu talento nunca esteve em discussão, mas sua trajetória ajudou a consolidar um novo modelo de sucesso para milhares de jovens atletas: o futebol como caminho para a fama e para a riqueza, não necessariamente para a glória esportiva.
Esse fenômeno não nasce apenas do futebol.
Vivemos em uma sociedade que passou a medir o sucesso pela capacidade de consumir e ostentar.
Esse fenômeno não nasce apenas do futebol.
Vivemos em uma sociedade que passou a medir o sucesso pela capacidade de consumir e ostentar.
Redes sociais transformaram patrimônio em identidade.
O atleta deixou de ser apenas jogador; tornou-se influenciador, empresário de si mesmo e vitrine permanente de uma vida luxuosa.
Nesse ambiente, vencer uma Copa do Mundo já não parece ser o maior troféu possível.
Talvez por isso a camisa da Seleção tenha perdido parte do peso simbólico que carregava durante décadas.
Nesse ambiente, vencer uma Copa do Mundo já não parece ser o maior troféu possível.
Talvez por isso a camisa da Seleção tenha perdido parte do peso simbólico que carregava durante décadas.
Antes, representar o Brasil era o auge absoluto da carreira.
Hoje, para muitos, é apenas mais um compromisso entre temporadas europeias.Enquanto isso, outros países passaram a formar jogadores com uma mentalidade quase obsessiva pela competição.
França, Espanha, Alemanha, Argentina e até seleções tradicionalmente secundárias investiram em formação técnica, disciplina tática e cultura esportiva.
O Brasil, por outro lado, parece ter perdido justamente aquilo que sempre teve de sobra: a fome.
Não significa que falte talento.
O Brasil, por outro lado, parece ter perdido justamente aquilo que sempre teve de sobra: a fome.
Não significa que falte talento.
O país continua produzindo jogadores extraordinários.
Mas talvez falte o ambiente cultural que transformava talento em genialidade.
A rua desapareceu.
A rua desapareceu.
Os campinhos diminuíram.
As crianças passaram mais tempo diante das telas do que atrás da bola.
O improviso deu lugar ao treino padronizado.
A criatividade cedeu espaço ao atleta moldado desde cedo para atender às exigências do mercado internacional.
Recuperar essa essência não depende apenas da CBF, dos clubes ou dos treinadores.É uma mudança muito mais profunda.
Envolve educação, infância, espaços públicos, cultura esportiva e até a maneira como a sociedade define o que significa vencer na vida.
Porque talvez o maior problema da Seleção Brasileira não esteja no esquema tático, no técnico ou na convocação.
Recuperar essa essência não depende apenas da CBF, dos clubes ou dos treinadores.É uma mudança muito mais profunda.
Envolve educação, infância, espaços públicos, cultura esportiva e até a maneira como a sociedade define o que significa vencer na vida.
Porque talvez o maior problema da Seleção Brasileira não esteja no esquema tático, no técnico ou na convocação.
Talvez esteja no fato de que o Brasil deixou de fabricar craques antes mesmo de perceber que havia mudado a fábrica.
Fonte : Portal Pará Web News .
Blog do Xarope via Portal Pará Web News .
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