Uma declaração do deputado estadual Aveilton (PSD) durante passagem por Castelo dos Sonhos, distrito de Altamira, no sudoeste do Pará, provocou indignação entre moradores e reacendeu um debate sobre a relação entre interesses políticos e o dever de representar a população.
| “Eu não coloquei, porque vossa excelência lançou a sua esposa candidata. |
Segundo o próprio parlamentar, durante os quatro anos de mandato, ele não destinou recursos à Prefeitura de Altamira porque o prefeito Dr. Loredan havia lançado a própria esposa como candidata a deputada estadual.
Em outras palavras, uma disputa política teria pesado mais do que os interesses da população que elegeu Aveilton, que é nascido em Castelo dos Sonhos, e tem o pai e outros familiares residindo por lá.
A fala causa ainda mais repercussão porque, na última eleição, o deputado recebeu mais de 5 mil votos em Altamira.
Foram milhares de eleitores que depositaram confiança nas urnas e esperavam que o parlamentar também defendesse os interesses do município na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).
Mas, conforme a justificativa apresentada pelo próprio deputado, Altamira ficou fora da sua lista de prioridades por uma razão essencialmente política.
“Eu não coloquei, porque vossa excelência lançou a sua esposa candidata.
E daí, pra gente deputado estadual colocar recurso numa prefeitura onde tem uma deputada, é complicado”, afirmou Aveilton.
O problema é que os votos não pertencem ao prefeito, à esposa do prefeito ou a qualquer grupo político.
Os votos são dos eleitores.
São moradores que precisam de saúde, educação, infraestrutura, segurança e investimentos públicos, independentemente de quem esteja no comando da prefeitura ou de quem seja candidato nas eleições.
Agora, depois de quatro anos sem destinar recursos ou indicar projetos que tenham levado benefícios concretos à população de Altamira, Aveilton retorna ao município para pedir novamente o voto daqueles mesmos eleitores.
A declaração, portanto, levanta uma pergunta incômoda: se a disputa política foi suficiente para deixar Altamira sem recursos durante quatro anos, o que garante aos eleitores que, caso sejam novamente escolhidos, os interesses da população estarão acima das disputas partidárias?
Para muitos moradores, o episódio expõe uma velha prática da política brasileira: lembrar do eleitor na época de pedir voto e esquecer dele quando chega a hora de exercer o mandato.
Altamira não votou em uma briga política.
Votou em um deputado para ser representante do município.
E é justamente essa diferença que torna a declaração de Aveilton tão controversa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Participe do Blog do Xarope e deixe seus comentários, críticas e sugestões.