quarta-feira, 18 de março de 2026

CASO GISELE : TENENTE-CORONEL É PRESO EM SP SUSPEITO DE FEMINICÍDIO .

A soldado morreu após ser encontrada com um tiro na cabeça no apartamento em que o casal vivia no Brás, no centro da capital paulista, em 18 de fevereiro.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53, marido da policial Gisele Alves Santana, 32, foi preso hoje em São José dos Campos, interior de São Paulo, após indiciamento por feminicídio. 
A soldado morreu após ser encontrada com um tiro na cabeça no apartamento em que o casal vivia no Brás, no centro da capital paulista, em 18 de fevereiro.
O que aconteceu
Prisão se deu por suspeitas de crime de feminicídio e fraude processual. Prisão ocorreu após determinação da Justiça Militar. Ontem, a Polícia Civil de São Paulo pediu a prisão preventiva (por tempo indeterminado) de Geraldo. 
O colunista do UOL Josmar Jozino apurou que a medida foi tomada com base em laudo cujo conteúdo é sigiloso.
Prisão foi realizada por policiais militares após representação da Corregedoria. 
Geraldo Leite Rosa Neto ficará detido no presídio militar Romão Gomes, na capital paulista. 
Ele estava em casa, em São José dos Campos, quando foi detido.
As provas periciais e médico-legais, analisadas pela Polícia Técnico-Científica, indicam a inviabilidade da hipótese de suicídio, além de apontarem indícios de alteração do local do crime.
Polícia Civil de São Paulo, em nota
O advogado Eugênio Malavasi, defensor do tenente-coronel, diz que não há fundamentação para a decretação da prisão do cliente. 
Ele ressaltou que Geraldo está em licença-prêmio, afastado das funções.
Relembre o caso
Gisele morreu após ser encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido no Brás, na região central de São Paulo, em 18 de fevereiro
Ela foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital. 
A morte dela foi constatada às 12h04 do mesmo dia.
Em depoimento, Geraldo afirmou que, no dia dos fatos, se dirigiu ao quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. 
O homem afirmou ter dito que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando. De acordo com ele, após a declaração, a esposa se levantou de forma “exaltada”, mandou ele sair do quarto e bateu a porta. 
Ele alega ter pegado a toalha para tomar banho em seguida.
Um minuto após entrar no banho, o tenente-coronel declarou ter ouvido um barulho, que pensava ser uma porta batendo. 
Mas, ao abrir a porta, se deparou com Gisele no chão, ferida na cabeça e segurando a arma de fogo. 
Ele disse ter acionado o resgate, a Polícia Militar e ter ligado para um amigo que é desembargador.
Mãe da vítima disse à polícia que o relacionamento da filha com Geraldo era “extremamente conturbado”. 
Ela afirmou que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.
O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado, mas o registro foi alterado pela Polícia Civil para “morte suspeita” após depoimento da mãe da vítima. 
A ocorrência é investigada pelo 8º Distrito Policial (Brás) e pela Corregedoria da Polícia Militar.
Andamentos
Corpo de Gisele foi exumado no dia 6 de março e passou por nova perícia e exames complementares. 
A perícia apontou que o corpo da soldado tinha “lesões contundentes” na face e na região cervical provocadas por pontas de dedos e escoriação compatível com a pressão de unhas. 
Não foram observadas lesões típicas de defesa no corpo, dependendo de exame complementar para tal confirmação.
No dia 9 de março, a Justiça de São Paulo encaminhou o caso da morte da soldado para a Vara do Tribunal do Júri. 
Essa vara é responsável por apurar apenas crimes contra a vida —como, por exemplo, homicídio, feminicídio e induzimento ao suicídio.
Já no dia 10 de março, o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) decretou sigilo em todo o processo do caso. 
No documento, obtido com exclusividade pelo UOL, a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro afirmou que o episódio teve “ampla divulgação pela imprensa” e foram divulgados detalhes das investigações “que poderiam vir a prejudicá-las”.
Uma denúncia anônima registrada em um IPM (Inquérito Polícia Militar) aponta que o tenente-coronel tinha “instabilidade emocional”. 
Segundo o denunciante, Geraldo perseguia, intimidava e ameaçava a companheira recorrentemente. 
A Corregedoria da Polícia Militar instaurou um IPM no dia 20 de fevereiro, dois dias após a morte da soldado, para apurar o caso.
Em entrevista à Record TV no dia 11 de março, Geraldo negou ter matado a esposa e declarou ter a consciência tranquila
“As pessoas têm inventado coisas, estou sendo atacado impiedosamente por inverdades. 
Não tenho nada para inventar ou mentir, trabalho com a verdade”, disse.
Em caso de violência, denuncie
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico .
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.
Procure ajuda
Se você estiver tendo pensamentos suicidas, procure ajuda especializada.
O CVV (Centro de Valorização da Vida)oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188. Também há atendimento por chat, e-mail e presencialmente.
Outra opção é procurar um Caps (Centro de Atenção Psicossocial) na sua cidade.
Há ainda o Pode Falar, canal criado pelo Unicef para jovens de 13 a 24 anos, com atendimento anônimo e gratuito.
(Com Uol) .
Fonte : Debate Carajás
Blog do Xarope via Debate Carajás

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