quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Polícia nega que irmãos desaparecidos no Maranhão estejam entre crianças localizadas nos EUA .

A Polícia Civil do Maranhão informou que Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, não estão entre as crianças localizadas durante operações realizadas recentemente nos Estados Unidos. 
A coleta foi realizada pelo Setor Técnico-Científico da instituição.
Os irmãos desapareceram em janeiro, na zona rural de Bacabal, e continuam sem paradeiro confirmado oito meses depois.
A confirmação ocorreu após informações divulgadas nas redes sociais relacionarem o desaparecimento dos irmãos à Operação Statewide Shield, realizada em território norte-americano. 
Diante da repercussão, a Polícia Civil procurou a Polícia Federal para verificar se havia algum registro de cooperação internacional envolvendo as crianças.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros, a PF informou que não recebeu pedido de cooperação internacional relacionado à localização de crianças maranhenses durante a operação nos Estados Unidos.
A Polícia Federal também informou que, conforme dados repassados pelas autoridades norte-americanas, nenhuma criança brasileira estava entre as 163 pessoas localizadas durante a operação.
Família busca ampliar investigação internacional
A possibilidade de localizar os irmãos fora do Brasil levou a família a buscar o apoio da Interpol. Nesta quarta-feira (9), Clarice Cardoso, mãe das crianças, esteve na sede da Polícia Federal, em São Luís, acompanhada da advogada Nathaly Moraes.
Durante a reunião, foi solicitada a inclusão dos nomes de Ágatha e Allan na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas em outros países.
O pedido ainda precisa ser analisado pela Diretoria de Cooperação Internacional da Polícia Federal. Caso seja encaminhado, a Interpol será responsável por avaliar a solicitação e decidir sobre a emissão do alerta aos países integrantes da organização.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), afirmou que houve articulação entre a Polícia Civil, a Polícia Federal e outras instituições para ampliar a cooperação internacional nas buscas.
Apesar da manifestação do governador, a Polícia Federal informou que não havia recebido pedidos anteriores para inclusão dos irmãos na lista da Interpol. 
A solicitação apresentada nesta quarta-feira foi a primeira registrada pela instituição, segundo informações repassadas ao g1.
DNA será usado para verificar identidade de criança
Além do pedido de cooperação internacional, a família apresentou às autoridades imagens de uma criança encontrada nos Estados Unidos. As fotografias levantaram a possibilidade de que ela pudesse ser Allan Michael, mas não permitiram confirmar a identidade.
Para esclarecer a suspeita, Clarice forneceu material genético durante a passagem pela sede da Polícia Federal em São Luís. 
A coleta foi realizada pelo Setor Técnico-Científico da instituição.
A amostra deverá ser encaminhada ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, onde será elaborado o perfil genético. 
O material será inserido no Banco Nacional de Perfis Genéticos e poderá ser utilizado em futuras comparações, inclusive em procedimentos relacionados à cooperação internacional.
A mãe afirmou reconhecer características do filho nas imagens, mas destacou que somente o exame poderá confirmar ou descartar a possibilidade de identificação.
Desaparecimento ocorreu em janeiro
Ágatha e Allan desapareceram no dia 4 de janeiro, enquanto estavam em uma área de mata do quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. 
Eles estavam acompanhados de um primo de 8 anos, que acabou sendo localizado dois dias depois.
A partir do desaparecimento, uma grande operação foi montada na região. 
Policiais, bombeiros, militares, equipes especializadas e voluntários participaram das buscas, que também alcançaram áreas de rios e lagos.
Durante os primeiros dias, roupas infantis foram encontradas em pontos investigados pelas equipes, mas familiares posteriormente informaram que as peças não pertenciam aos irmãos.
A Marinha também participou da operação, utilizando mergulhadores e equipamentos de busca subaquática. 
Entre os recursos empregados esteve um sonar capaz de identificar objetos embaixo d’água.
Em outra etapa da operação, o primo das crianças participou de uma reconstituição do trajeto percorrido pelo grupo antes de ele procurar ajuda. 
O menino indicou locais onde teria estado com Ágatha e Allan, incluindo uma estrutura conhecida como “casa caída”, próxima ao rio Mearim.
Investigação passou a ter maior peso após redução das buscas
Depois de 19 dias de mobilização intensa, as equipes reduziram as buscas sistemáticas na mata após a conclusão das áreas consideradas prioritárias. 
A investigação policial passou a concentrar parte significativa dos esforços.
Ao longo dos meses seguintes, diferentes informações foram analisadas pelas autoridades. Uma denúncia sobre a suposta presença dos irmãos em um hotel no Centro de São Paulo, por exemplo, foi investigada pela Polícia Civil paulista, mas as crianças encontradas no local não eram Ágatha e Allan.
Também circularam nas redes sociais acusações sem comprovação contra a mãe e o padrasto dos irmãos. 
A Polícia Civil desmentiu a informação de que as crianças teriam sido vendidas e afirmou, na época, que não havia indícios de participação dos familiares no desaparecimento.
Outra estratégia adotada durante a investigação foi o uso do Amber Alert, sistema destinado à divulgação emergencial de informações sobre crianças desaparecidas ou que possam estar em situação de risco.
Oito meses depois, paradeiro continua desconhecido
O caso chegou a oito meses sem que Ágatha Isabelly e Allan Michael fossem encontrados. Desde o desaparecimento, foram investigadas possibilidades como acidente na mata, afogamento, ataque de animal e retirada das crianças do local.
Com a ampliação da cooperação internacional, informações sobre possíveis localizações fora do Brasil também passaram a ser verificadas.
Até o momento, porém, não há confirmação de que os irmãos estejam entre as crianças encontradas nos Estados Unidos.
As autoridades continuam analisando informações relacionadas ao caso. Denúncias que possam contribuir para localizar Ágatha e Allan podem ser comunicadas ao Disque-Denúncia, pelo número 181.
Fonte : Portal Tucumã .
Blog do Xarope via Portal Tucumã . 

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