Mutirão de limpeza no primeiro dia de governo é medida
recorrente pelo Brasil afora. Mutirão é meio-irmão de campanha, e campanha é
algo concebido para ter começo, meio e fim. E um município não pode ser
governado em ritmo de campanha. Por exemplo, no caso do lixo que, em Belém
assume proporções de tragédia universal, e Santarém que, nesse aspecto, segue o
exemplo da capital.
Em Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB) vestiu roupa de gari no
primeiro dia de seu reinado e foi às baixadas “comandar” o mutirão de limpeza
da cidade. O espírito da coisa é a “parceria” com o povo e o governo do Estado.
Depois irá a Brasília com o chapéu na mão. Parceria supõe participação de
vários atores. Há quem acredite nisso em se tratando de um prefeito de
personalidade centralizadora e historicamente distanciado do povo?
Há palavras que perderam o sentido e tucanos e outros
animais não perceberam. Entre essas palavras podemos enumerar diversas, como
transparência e participação (lembram do planejamento e do orçamento
participativos do ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues e outros “luminares”
da “esquerda”?). Em sã consciência não há quem ofereça dez reis de mel coado de
credibilidade a um discurso de posse. Mas há satisfação, claro, da nova corte
que se entroniza.


