Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia avança como um dos mais relevantes movimentos recentes do comércio internacional.
O tratado prevê a redução gradual de tarifas, a harmonização de regras e a facilitação do acesso de produtos dos dois blocos aos seus respectivos mercados, criando novas condições para exportações, investimentos e integração produtiva.
Para o Pará, que possui um perfil fortemente exportador, o acordo tende a produzir impactos significativos a médio e longo prazo.
Em 2025, o Estado exportou cerca de US$ 4 bilhões para a União Europeia, crescimento de 10,84% em relação ao ano anterior, o que o coloca na quarta posição entre os estados brasileiros exportadores para o bloco, com 8,04% de participação nacional.
Conforme avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, a redução tarifária amplia a competitividade dos produtos paraenses no mercado europeu, especialmente nos segmentos de mineração, agronegócio e agroindústria, além de abrir espaço para bens com maior valor agregado.
Minérios, soja e ferro-níquel estão entre os itens com maior potencial de ganho, mas a expectativa é que a pauta se torne mais diversificada ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo em que cria oportunidades, o acordo também traz desafios.
A entrada de manufaturados europeus com menos impostos pode pressionar setores industriais menos competitivos no mercado interno.
No entanto, Carvalho afirma que esse risco é mitigado pelo perfil atual da indústria paraense, ainda pouco exposta à concorrência direta com bens finais produzidos na Europa.
Mais do que ameaça, o tratado pode funcionar como um indutor de modernização, desde que acompanhado por políticas de inovação, financiamento e qualificação produtiva.
“Um dos exemplos mais simbólicos desse novo cenário está na cadeia do cacau e do chocolate.
O Pará é o maior produtor de cacau do Brasil e vem consolidando uma indústria local de chocolates finos.
Com o acordo, produtos europeus tendem a chegar mais baratos ao mercado brasileiro, aumentando a competição.
Por outro lado, abre-se a possibilidade de o chocolate paraense, com identidade amazônica, rastreabilidade e apelo socioambiental, acessar o mercado europeu com menos barreiras, especialmente em nichos premium”, destaca o presidente da FIEPA.
Outro ponto estratégico é a redução de tarifas para bens de capital, como máquinas e equipamentos.
Em 2025, o Pará importou da União Europeia insumos industriais, produtos químicos e itens essenciais à mineração e à indústria de transformação.
Com a queda de custos para aquisição de tecnologia europeia, a expectativa é de ganhos em eficiência, redução de custos de produção, modernização de processos e até melhorias ambientais em setores como mineração, metalurgia, alimentos, móveis e bioindústria.
“Além do minério, outros produtos da pauta paraense podem ganhar competitividade com a abertura do mercado europeu.
Carne certificada; soja, que cresceu 28% nas exportações para a UE entre 2024 e 2025; e açaí podem se destacar entre os segmentos com maior potencial de expansão”, explica Carvalho.
Alex Carvalho reforça que o acordo Mercosul–União Europeia cria uma janela estratégica para que o Pará avance não apenas em volume exportado, mas principalmente em qualidade, valor agregado e inserção em cadeias globais de valor – desde que acompanhado de investimentos em setores primordiais, como a infraestrutura e logística.
O aproveitamento pleno deste cenário, porém, depende de articulação entre setor produtivo, poder público e instituições de apoio, para que a indústria paraense esteja preparada para competir, inovar e ocupar novos espaços no mercado internacional.
O tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo 718 milhões de consumidores e movimentando cerca de US$ 22 trilhões em trocas comerciais.
Fonte: Atendimento à Imprensa FIEP
Blog do Xarope via Portal Guarany Júnior
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