Projeto humaniza realização de procedimentos considerados incômodos para a maioria dos pequenos
Nem sempre é preciso saber ler para desbravar o mundo de histórias e magia.
| Sara, de dois anos, interagindo com o livro sensorial antes da tomografia |
E quando se tem apenas dois anos de idade, a leitura, do jeito que a gente conhece, vira detalhe.
Esperta e curiosa, a pequena Sara Raposo descobriu sozinha o caminho para a casa do personagem e, antes mesmo de entrar na sala de verdade, conheceu a tomografia através de figuras.
Cada página teve a atenção despretensiosa que só uma criança é capaz.
Em poucos minutos, Sara estava encantada pelo livro.
E pronta para o exame.
O projeto é mais uma novidade do Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, Sudoeste do Pará.
O Livro Sensorial ajuda a reforçar a humanização durante o tratamento de crianças, além de pessoas com neuropatologias, grupo que, na maioria das vezes, tem medo ou incômodo por estar em um ambiente hospitalar, e desenvolve estresse, inquietação e ansiedade ao ser submetido a procedimentos que para outros pacientes não causam incômodo algum.
| Projeto diminui ansiedade durante exames, como a tomografia |
É o caso da tomografia, exame pelo qual a Sara passou.
A equipe só conseguiu realizar a avaliação depois de a garotinha ter sido conquistada pelas páginas coloridas e interativas.
“Ajudou bastante para ela fazer o exame, é uma iniciativa muito boa do hospital.
Isso motiva porque ela ficou até quieta, ‘né, dona Sara?’”, comemora a mãe, Aline Guimarães Raposo, enquanto interage de forma humorada com a criança.
A explicação para o nome Livro Sensorial está... no próprio nome. Diferente daqueles que a gente lê no dia a dia, na escola ou quando faz uma pesquisa, o projeto do Hospital Regional Público da Transamazônica traz, no lugar de textos extensos, pequenas frases e muitos adesivos em alto-relevo, permitindo que o leitor sinta a história com as próprias mãos.
| Livro estimula interação e deixa a criança mais tranquila Foto : Ascom / HRPT |
Literalmente.
Implementado recentemente, o projeto foi desenvolvido pela técnica em Enfermagem Ana Karoline Câmara de Sousa, que conta: “Após a gente identificar, durante todo esse período em que trabalho aqui, que sempre vem criança com dificuldade [para realizar exames]”, explica.
Ainda de acordo com a profissional, o Livro Sensorial permite que “a criança tenha uma interação, que possa conhecer todas as etapas, o que vai encontrar, os tipos de sons que pode ouvir na tomografia e que possa brincar e interagir, para se acalmar e regular as emoções”.
O livro está disponível no Setor de Imagens, onde pacientes são submetidos a tomografia, radiografia e outros procedimentos que aplicam raios-x para diagnóstico e tratamento.
Como o retorno foi positivo e imediato, a ideia é ampliar a experiência para outras unidades, como Pronto-Atendimento, Ambulatório e UTI Pediátrica. Coordenadora de Enfermagem Mayara Santos, detalha.
“Diante dos resultados positivos observados já neste início de ano 2026, nossa proposta é ampliar o projeto para outros procedimentos e setores do hospital, fortalecendo cada vez mais a humanização do cuidado pediátrico dentro da nossa instituição”.
Referência em atendimento humanizado
O Hospital Regional Público da Transamazônica se destaca entre um dos mais bem avaliados no Pará.
A unidade, administrada pelo governo do Estado em parceria com o Instituto Acqua, possui mais de 20 especialidades, 800 colaboradores diretos e indiretos e é referência no atendimento em saúde para uma população de mais de meio milhão de habitantes, em nove municípios.
Em quase duas décadas, o HRPT se reafirma como importante instrumento de saúde pública e tem na humanização um de seus principais pilares.
A exemplo do projeto atual, Livro Sensorial, outras iniciativas se destacam, como Acolhimento Humanizado, Conversa Com o Usuário, Jogos Interativos, Mãe Canguru e Sininho.
Em todos, a premissa é o garantir o bem-estar do usuário.
O HRPT também conta com equipe multiprofissional que acompanha o paciente desde a internação e, em muitos casos, até depois da alta.
Fonte : Agência Pará
Blog do Xarope via Agência Pará
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