terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

QUEM É A ADVOGADA E PROFESSORA UNIVERSITÁRIA DE SANTARÉM PRESA EM MANAUS POR LIGAÇÃO AO COMANDO VERMELHO

Nascida em Santarém (PA), filha de empresário local e residente em Manaus há anos, conforme apuração do JC, Adriana Almeida Lima construiu uma imagem pública de alto prestígio. 
Adriana Lima sendo conduzida à delegacia por um policial do AM. Foto: reprodução
Advogada, doutora em Direito e professora universitária, ela teve sua trajetória subitamente interrompida na última sexta-feira (20), ao ser presa na capital amazonense durante a operação Erga Omnes.
A santarena é acusada de integrar o “núcleo político” da facção Comando Vermelho (CV), operando financeiramente no esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa dentro do poder público.
O contexto da prisão e as acusações
A operação, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas, visa desarticular uma sofisticada rede criminosa que movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018. 
A investigação teve início após a apreensão de mais de meia tonelada de drogas do tipo skunk e 7 fuzis.
A partir desse flagrante, a polícia descobriu que a facção utilizava empresas de fachada e contava com a facilitação de pessoas infiltradas em órgãos públicos para lavar o dinheiro do narcotráfico.
Nesse cenário, relatórios de inteligência financeira apontaram a advogada Adriana Almeida Lima como uma “peça-chave” no esquema de transações milionárias.
A trajetória profissional e o trânsito político
Mãe de duas filhas e autodeclarada maratonista, Adriana possui um currículo extenso e ocupava posições de poder e influência. 
Ela é mestre em direito ambiental pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e doutora em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Dentro da UEA, sua atuação era de grande destaque: professora titular, coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica e membro de comissões sensíveis da instituição, como a Comissão Disciplinar, a Comissão Eleitoral e a Ouvidoria.
No cenário político, sua influência se dava na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), onde atuou como secretária de gabinete de liderança, cargo que lhe conferia trânsito livre nos corredores do poder.
A COP30 e a “camuflagem social”Para a Polícia Civil, os títulos acadêmicos e a forte exposição midiática de Adriana funcionavam como uma sofisticada “camuflagem social”. 
Segundo as investigações, essa roupagem de prestígio acadêmico mascarava suas atividades financeiras ilícitas e facilitava a atuação do grupo criminoso nas esferas de poder do estado.
A contradição entre sua imagem pública e as acusações ganhou ainda mais evidência devido à sua participação na COP30, em Belém, em novembro de 2025 — poucos meses antes de ser presa.
Integrando a delegação brasileira na categoria Sociedade Civil, Adriana se apresentou no evento internacional como pesquisadora e especialista em gestão ambiental. 
Na ocasião, ela defendeu um projeto de governança comunitária, debateu sobre a rodovia BR-319 e gravou um episódio do Podcast Cenarium, onde defendeu o protagonismo dos povos amazônicos no mercado de carbono.
Repercussão
Após a deflagração da operação Erga Omnes, que prendeu 14 pessoas e cumpriu mandados em diversos estados, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) se pronunciou oficialmente.
A instituição esclareceu que não se responsabiliza por atos praticados por servidores fora do âmbito institucional e ressaltou que quaisquer ações realizadas pela professora Adriana fora das dependências da universidade são de responsabilidade exclusiva dela, reafirmando seu compromisso com a legalidade.
O JC não localizou a defesa da advogada Adriana Lima. 
O espaço para o contraditório dela continua aberto.
Fonte : Blog do Jeso
Blog do Xarope via Blog do Jeso

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