Em Santarém, o Frigomar, conhecido como Mararu, e o Frigosan têm quase metade do gado abatido com inconformidade .
| Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (20) pelo Ministério Público Federal (MPF). |
Quase metade do gado comercializado por frigoríficos de Santarém, Oriximiná e Alenquer apresentou algum tipo de irregularidade socioambiental, segundo o 3º Ciclo Unificado de Auditorias do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne na Amazônia Legal.
Os maiores índices foram registrados em Santarém e Oriximiná, onde as análises apontaram irregularidades em quase metade dos animais comercializados.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (20) pelo Ministério Público Federal (MPF).
Em Santarém, o Frigomar, conhecido como Mararu, apresentou 49,8% de inconformidade. Dos 60.646 animais comercializados, 30.201 foram considerados irregulares na análise realizada pelo MPF.
No Frigosan, também em Santarém, o percentual chegou a 48,5%, com 24.045 animais inconformes entre 49.588 comercializados.
O cenário também chama atenção em outros municípios do oeste do Pará.
No Frigorífico Municipal de Oriximiná, 16.687 dos 34.936 animais analisados apresentaram irregularidades, o equivalente a 47,8%.
Já no Abatedouro Municipal de Alenquer, foram identificados 4.842 animais inconformes entre 18.595 comercializados, uma taxa de 26%.
Os quatro estabelecimentos não apresentaram auditorias próprias e, por isso, foram submetidos à análise automática de dados realizada pelo MPF.
O levantamento utiliza informações como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a Guia de Trânsito Animal (GTA) para identificar possíveis problemas na origem dos animais.
Os resultados do oeste do Pará contrastam com a média estadual entre os frigoríficos que concluíram a auditoria oficial.
Das 54 empresas convocadas pelo MPF no Pará, apenas 14 finalizaram o processo. Juntas, elas representam 89,1% de todo o volume de gado comercializado para abate ou exportação no estado, equivalente a 7,44 milhões de cabeças de um total de 8,35 milhões.
Entre as empresas efetivamente auditadas, o índice de inconformidade socioambiental foi de 5,4%, segundo o balanço do ciclo.
O resultado representa uma redução em relação aos 8,2% registrados no ciclo anterior.
Apesar disso, a análise individual mostra diferenças expressivas entre os frigoríficos.
Um dos casos mais extremos foi o da 163 Frigomarca, que apresentou 91,6% de irregularidades.
Dos 16.743 animais analisados, 15.330 foram considerados inconformes.
Na outra ponta, oito frigoríficos auditados alcançaram 100% de conformidade nas compras de gado, entre eles Frigol, Masterboi e Rio Maria. Sete empresas mantiveram índices superiores a 99% de conformidade nos três últimos ciclos.
No Pará, o relatório identificou milhares de ocorrências relacionadas à origem do gado.
Foram 25.799 compras consideradas não conformes.
Problemas relacionados ao Cadastro Ambiental Rural e a alterações nos limites das propriedades apareceram em 19.805 casos.
Também foram registrados 12.921 casos de produtividade incompatível, 7.818 transações de gado provenientes de áreas embargadas e 7.156 animais adquiridos de propriedades com desmatamento ilegal.
O levantamento identificou ainda 814 casos de propriedades sem Licença de Atividade Rural vigente.
Também foram encontrados 365 animais associados a compras em Unidades de Conservação, 36 relacionados a situações de trabalho escravo e 23 provenientes de Terras Indígenas.
As auditorias analisaram transações comerciais de gado realizadas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024 nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins.
Os acordos que deram origem ao TAC da Carne começaram a ser firmados pelo MPF com frigoríficos que atuam na Amazônia desde 2009.
O objetivo é verificar se as empresas controlam adequadamente a origem dos animais e impedir que a cadeia produtiva seja abastecida por gado proveniente de áreas com desmatamento ilegal, grilagem, trabalho escravo, invasões de unidades de conservação ou terras indígenas e quilombolas, além de propriedades sem regularização ambiental.
Uma das principais novidades deste ciclo foi a consolidação do sistema Mappia-TAC, utilizado para automatizar o cruzamento de dados do CAR e da GTA.
Segundo o MPF, a ferramenta permite analisar 100% dos frigoríficos convocados e identificar automaticamente imóveis com potenciais irregularidades, inclusive sobreposições com áreas de desmatamento detectadas pelo sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
De acordo com o procurador da República Ricardo Negrini, a automação aumenta a agilidade, a precisão e a transparência do monitoramento.
A ferramenta também permite que o MPF avalie frigoríficos que não apresentaram os relatórios de auditoria contratados.
Com os resultados, o Ministério Público Federal informou que deverá adotar medidas jurídicas e administrativas.
Entre as ações previstas estão processos contra empresas que operam sem aderir ao TAC e sem realizar auditorias, além da cobrança das obrigações de frigoríficos signatários que não entregaram os relatórios exigidos.
O MPF também pretende encaminhar informações aos órgãos ambientais para orientar a fiscalização prioritária sobre os estabelecimentos que não foram auditados.
O objetivo é ampliar o controle sobre a cadeia da carne e reduzir a entrada de animais de origem irregular no mercado formal.
Fonte : Oestadonet
Blog do Xarope via Oestadonet .
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