domingo, 8 de novembro de 2026

Divisão do Pará volta às conversas de aliados de Daniel Santos na transição do governo estadual

Lideranças regionais que apoiaram o governador eleito são apontadas como possíveis interessadas na pauta; proposta de gabinetes no interior amplia discussão sobre descentralização .
O governador eleito do Pará, Daniel Santos (Podemos), e a vice-governadora eleita, Ellayne D’Almeida (PL), durante evento político. A futura gestão enfrenta expectativas de descentralização administrativa e maior participação das regiões do interior nas decisões do governo estadual. Reprodução/Redes Sociais .
Em 11 de dezembro de 2011, os eleitores de todo o Pará participaram de um plebiscito para decidir sobre a criação de dois novos estados: Tapajós, no Oeste, e Carajás, no sul e sudeste. 
A proposta dividiria o território paraense em três unidades, mantendo o Pará remanescente com Belém como capital. 
Apesar da derrota no resultado estadual, a criação dos novos estados teve forte apoio nas regiões que pretendiam se emancipar, especialmente em Santarém e Marabá. 
O resultado preservou o território do Pará, mas evidenciou diferenças regionais e reivindicações por maior presença do poder público no interior.
Assim, a possibilidade de recolocar a divisão do Pará na agenda política começa a circular nos bastidores da transição para o governo de Daniel Santos (Podemos). 
Segundo informações repassadas ao EPOL, a discussão ainda é embrionária e passa por lideranças do Oeste, do sul e do sudeste paraense, incluindo Carajás, que apoiaram a eleição do futuro governador e buscam ampliar a influência de suas regiões na próxima administração.
O movimento relatado não equivale a uma decisão de Daniel. 
Até o momento, não foi feita nenhuma declaração pública do governador eleito assumindo a defesa de um novo plebiscito ou da criação dos estados de Tapajós e Carajás. 
A hipótese em circulação é que aliados regionais tentem abrir espaço para o assunto depois da vitória eleitoral e assim que o governo iniciar.
Sem aparecer como bandeira pública de Daniel na cobertura de campanha, a divisão territorial poderia chegar ao novo governo pela pressão de sua própria base. 
Nos relatos de bastidores, a expectativa dessas lideranças é que o peso político conquistado nas urnas se traduza em maior participação nas decisões estaduais. 
Ainda falta esclarecer quem estaria disposto a transformar essa expectativa em uma articulação formal pela criação de novos estados.
Gabinetes no interior entram na discussão
O fato público que acompanha essas conversas é a proposta de descentralização administrativa. 
Em entrevista ao O Liberal, publicada em 6 de novembro, a vice-governadora eleita, Ellayne D’Almeida (PL), confirmou a previsão de uma unidade de seu gabinete em Santarém. 
Segundo a reportagem, o imóvel ainda estava sendo procurado, e outras cidades também poderão receber estruturas da vice-governadoria.
Nos relatos ao EPOL, a proposta é associada à instalação de subsedes e à presença periódica da vice no interior, inclusive para atender demandas do sul e sudeste. 
Não há, porém, confirmação pública localizada sobre quais municípios dessas regiões receberiam as unidades ou sobre um calendário de plantões, mas Marabá e Santarém devem ser contemplados.
A distinção é fundamental: abrir gabinetes fora de Belém permite aproximar a administração das cidades sem alterar o território estadual. 
Essas estruturas poderiam atender parte das reivindicações históricas por presença do governo. 
Interpretá-las como preparação para dividir o Pará seria ir além do que está confirmado, mas que também não deva ser totalmente descartado, afinal, tratando-se de política, tudo é possível.
Aliados carregam o histórico de Carajás
Entre os nomes ligados ao futuro governo, João Salame tem uma trajetória diretamente relacionada ao tema. 
O ex-prefeito de Marabá presidiu a frente favorável à criação do Estado de Carajás no plebiscito de 2011. Agora, aparece entre os integrantes da próxima gestão.
Outro aliado, o senador Zequinha Marinho, também atuou em defesa da consulta sobre a divisão.
A presença dessas lideranças no campo político de Daniel ajuda a explicar a possibilidade discutida nos bastidores. 
Não permite, entretanto, atribuir a Salame ou Zequinha a condução de uma nova campanha separatista, mas podem voltar a discutir o tema com suas bases, caso sejam pressionados.
No Oeste, a reivindicação também permanece viva. 
A Câmara Municipal de Santarém registrou, em maio de 2026, manifestação do vereador Renilson Vinte em defesa do Estado do Tapajós.
Decisão dependeria da população e do Congresso
Uma eventual adesão de Daniel daria peso político à discussão, mas não autorizaria o governo estadual a promover a divisão. 
A legislação federal exige aprovação da população diretamente interessada em plebiscito e do Congresso Nacional por lei complementar. 
A consulta abrange tanto o território que pretende se separar quanto a área que permaneceria no estado de origem.
Por enquanto, o que existe é uma hipótese de bastidores em torno de uma reivindicação antiga, acompanhada de uma proposta pública de descentralização. 
O próximo passo político será saber se as lideranças regionais buscarão apenas mais presença administrativa e investimentos ou se apresentarão ao governador eleito uma demanda explícita para reabrir o debate sobre o mapa do Pará.
Fonte : O Estado do Pará On Line .

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