Restos humanos mumificados, incluindo cabeças, mãos e pés, estão sendo anunciados e vendidos em plataformas digitais, redes sociais e casas de leilão.
| Restos humanos mumificados viram mercadoria . |
Um estudo recente publicado no International Journal of Cultural Property alerta para os riscos desse mercado pouco regulamentado, que pode expor compradores, vendedores e até trabalhadores responsáveis pelo transporte das peças a microrganismos e materiais tóxicos.
Restos humanos mumificados viram mercadoria
O comércio de restos humanos mumificados ocorre de maneira discreta, mas ganhou espaço com as redes sociais, lojas virtuais, plataformas de comércio eletrônico e casas de leilão.
A prática chamou a atenção de pesquisadores que investigaram como essas peças são anunciadas e comercializadas.
O estudo analisou 128 anúncios publicados na internet e encontrou diferentes tipos de restos humanos mumificados disponíveis para negociação.
Entre os itens estavam mãos, pés, crânios, cabeças completas ou parcialmente preservadas e outras partes do corpo.
Mais da metade dos anúncios analisados, 51,6%, envolvia cabeças em diferentes condições de conservação.
O levantamento também identificou crânios com tecidos moles ou cabelos e as chamadas tsantsas, conhecidas como cabeças reduzidas produzidas historicamente pelo povo Shuar, do norte do Peru e do leste do EquadEles alertaram que 13 desses anúncios apresentavam restos mortais com “suspeita visível de colonização fúngica“, indicando “condições de armazenamento ambiental inadequadas e instáveis“, e seis apresentavam “extensa biodeterioração, representando um risco potencial para aqueles que manuseiam os restos mortais“.
“A maioria das bactérias, fungos e leveduras sobrevive, recoloniza e se multiplica utilizando a matéria orgânica disponível no corpo, especialmente quando os restos mortais foram manipulados e submetidos a condições de armazenamento inadequadas.
Isso pode resultar em riscos biológicos adicionais para os seres vivos.”, alerta o estudo.
Microrganismos podem sobreviver por muitos anos
Mesmo depois de centenas de anos, restos humanos mumificados podem conservar microrganismos em estado dormente.
Entre eles estão esporos de fungos, que podem se espalhar pelo ar quando o material é movimentado ou manipulado.
Um dos principais exemplos envolve fungos do gênero Aspergillus. Segundo os pesquisadores, a inalação de esporos desse tipo foi associada à morte de Lord Carnarvon, que abriu o túmulo de Tutancâmon em 1922, e também de 12 cientistas da área de conservação que abriram o túmulo do rei Casimiro IV de Cracóvia, na atual Polônia, na década de 1970.
Além dos fungos, de acordo com o estudo, diferentes técnicas de mumificação utilizaram substâncias que hoje são conhecidas por sua toxicidade.
Os materiais empregados historicamente, arsênio, mercúrio e chumbo, são metais pesados que podem permanecer associados aos restos humanos mesmo após longos períodos.
“Quando restos mumificados são transportados sem os devidos controles ou documentação, os vivos ficam expostos a diversos riscos.
Isso inclui a possível presença de substâncias tóxicas historicamente utilizadas para preservar os mortos e as subsequentes alterações no corpo e nos pertences pessoais associados devido ao crescimento microbiano.” escreveram os pesquisadores no International Journal of Cultural Property .
Nos museus, os restos mumificados são frequentemente exibidos em vitrines de vidro com temperatura controlada, o que ajuda a proteger tanto os restos mortais quanto as pessoas que os observam.
Porém, para colecionadores particulares, essas medidas geralmente não são tomadas, e os esporos “guardados” podem facilmente se espalhar no ambiente.
Por isso, pesquisadores defendem que a manipulação dessas peças exige cuidados semelhantes aos adotados na conservação de outros materiais potencialmente perigosos.
Preocupação também envolve o transporte
Como parte dos restos é enviada pelo serviço postal ou por empresas de transporte, funcionários de armazéns, motoristas, trabalhadores de centros de distribuição e agentes alfandegários também podem entrar em contato com o material sem saber exatamente o que estão manuseando.
O estudo destaca que essas pessoas provavelmente não utilizam equipamentos de proteção específicos durante o contato inicial com as encomendas.
Até que medidas mais eficazes sejam implementadas, o público deve permanecer vigilante e denunciar a venda de restos mumificados às autoridades competentes e aos órgãos profissionais.
Fonte : (Com Diário do Pará) .
Blog do Xarope via Diário do Pará .
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