Engenheira civil, arquiteta, professora universitária e comunicadora, ela também se destacou pela atuação em defesa das mulheres e pela criação de iniciativas de assistência social no Pará.
| Lúcia foi a primeira mulher a integrar a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, como terceira suplente, no biênio 1981-1983. |
Sua passagem pelo Congresso Nacional entrou para a história.
Lúcia foi a primeira mulher a integrar a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, como terceira suplente, no biênio 1981-1983.
A posição lhe permitiu presidir uma sessão da Casa, tornando-a a primeira mulher a ocupar a cadeira da Presidência dos trabalhos em uma sessão da Câmara.
UMA PIONEIRA NO PARLAMENTO
Eleita deputada federal pelo Pará em 1978, pelo MDB, Lúcia Viveiros tomou posse na legislatura iniciada em 1979. Foi reeleita em 1982, desta vez pelo PDS, permanecendo na Câmara até 1987. Durante sua atuação parlamentar, apresentou propostas relacionadas à proteção e aos direitos das mulheres, além de temas ligados à Amazônia.
Um dos episódios que marcaram sua chegada ao Congresso ocorreu logo no início do mandato. Lúcia tornou-se a primeira mulher a entrar no plenário da Câmara usando calças compridas, rompendo um costume que ainda predominava no Parlamento brasileiro.
O episódio foi registrado nos próprios Anais da Câmara e ganhou repercussão nacional.
Mais do que um gesto simbólico, sua presença na Mesa Diretora representou uma mudança importante em um ambiente político predominantemente masculino.
A própria Câmara dos Deputados reconhece Lúcia Viveiros como a primeira mulher eleita para a Mesa da Casa, ainda que na condição de suplente.
DEFESA DAS MULHERES
Antes mesmo de chegar ao Congresso, Lúcia já desenvolvia ações voltadas à população feminina.
Em 1975, fundou a Legião da Mulher Paraense (Lempa), entidade que oferecia assistência social e jurídica e buscava ampliar a participação das mulheres na sociedade.
Documentos históricos da Câmara também registram sua atuação anterior na Legião da Boa Vontade no Pará e a participação em iniciativas de assistência às mulheres, crianças e idosos.
No Parlamento, essa preocupação continuou presente.
Entre as propostas apresentadas por Lúcia esteve a criação de um Ministério da Mulher e da Criança, além de uma proposta relacionada à aposentadoria feminina.
ENGENHARIA, ARQUITETURA E COMUNICAÇÃO
A trajetória profissional de Lúcia Viveiros também foi diversificada. Formou-se engenheira civil e posteriormente em arquitetura, construindo carreira acadêmica como professora da Universidade Federal do Pará.
Paralelamente à formação técnica e à atividade política, manteve uma longa relação com os meios de comunicação.
Durante décadas, apresentou programas direcionados ao público feminino em emissoras de rádio de Belém, entre elas a Rádio Clube do Pará, Rádio Guajará e Rádio Marajoara, além de ter atuado na televisão.
Essa experiência fez dela uma personalidade conhecida para além do ambiente parlamentar, aproximando sua atuação de diferentes setores da sociedade paraense.
UMA TRAJETÓRIA QUE MARCOU GERAÇÕES
Lúcia Viveiros também teve passagem pela Assembleia Legislativa do Pará, onde exerceu mandato parlamentar.
Sua carreira política ocorreu em um período de profundas transformações no país, quando a presença feminina nos espaços de decisão ainda era bastante reduzida.
A documentação histórica da Câmara mostra que, na legislatura iniciada em 1979, apenas quatro mulheres chegaram à Câmara dos Deputados: Lúcia Viveiros, Cristina Tavares, Júnia Marise e Lygia Lessa Bastos.
Ao ocupar a Mesa Diretora e posteriormente conduzir uma sessão do plenário, a representante paraense abriu uma porta que permaneceria por muitos anos como símbolo da conquista feminina no Parlamento.
A Assembleia Legislativa do Pará manifestou pesar pela morte da ex-deputada e destacou sua importância para a história política do Estado.
Aos 91 anos, Lúcia Daltro Viveiros deixa como principal marca uma trajetória construída em diferentes áreas — da engenharia à comunicação, da assistência social à política — e um lugar permanente na história da participação das mulheres na vida pública brasileira.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução
Fonte : A Província do Pará .
Blog do Xarope via A Província do Pará .
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