terça-feira, 27 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro cresce apenas 1.034 votos em Santarém, enquanto Lula avança 11,7 mil votos no segundo turno; em Alenquer, candidato do PL teve menos votos que no primeiro turno


Apoio de candidatos derrotados - Henderson Pinto e Nélio Aguiar- não surtiu efeito anunciado, nem o poderio financeiro do grupo de Daniel Santos, liderado por JK, atraiu eleitores de outros candidatos a presidente; abstenção cresceu
O segundo turno da eleição presidencial em Santarém, no oeste do Pará, apresentou um contraste entre o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) e o de Lula (PT). Mesmo tendo terminado a primeira etapa da disputa com uma vantagem de 29.696 votos sobre o petista, Flávio acrescentou apenas 1.034 votos à sua votação, enquanto Lula conquistou mais 11.704 votos no segundo turno. A abstenção aumentou de 18,81% para 19,71% motivada principalmente pela falta de transporte e de acesso das comunidades no período de vazante acentuada dos rios da região.
Os números indicam a baixa capacidade de transferência de votos das lideranças políticas locais que declararam apoio ao candidato do PL, entre elas Nélio Aguiar, Henderson Pinto e JK, em Santarém, e em Oriximiná, por exemplo, onde Lula venceu no primeiro e segundo turnos em reduto do prefeito Delegado Fonseca,
Em Alenquer, por exemplo, Flávio Bolsonaro obteve menos votos de um turno para o outro. No primeiro, obteve 18.312 votos, e 17.830 no segundo turno. Lula cresceu de 16.099 para 17.038.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 108.078 votos, correspondentes a 54,40% dos votos válidos em Santarém. Lula obteve 78.382 votos, ou 39,46%. A diferença expressiva indicava uma vantagem inicial do candidato do PL no município. No segundo turno, porém, a movimentação do eleitorado alterou o cenário de crescimento dos dois candidatos: Flávio chegou a 109.112 votos ( 54,78%), enquanto Lula alcançou 90.086 (45,22%).
A evolução dos números mostra que Lula ampliou sua votação em aproximadamente 14,9% em relação ao primeiro turno, enquanto o crescimento de Flávio ficou próximo de 1%. Embora o candidato do PL tenha mantido a dianteira no município, o avanço muito superior do adversário chama a atenção para a dinâmica eleitoral entre as duas etapas da disputa.
O resultado também destaca, neste contexto, o peso político das declarações de apoio feitas durante a campanha, no primeiro turno e na reta final da disputa presidencial no município.
Nélio Aguiar, Henderson Pinto e JK do Povão estiveram entre as lideranças apontadas como apoiadoras de Flávio Bolsonaro no segundo turno. A expectativa política em torno dessas manifestações era de que pudessem contribuir para ampliar a votação do candidato, especialmente por meio da adesão de eleitores que, no primeiro turno, haviam escolhido outras candidaturas.
Do lado do petista, a campanha ganhou reforço de movimentos sociais, estudantis, indígenas, e de apoiadores independentes, incluindo jornalistas, blogueiros, advogados, médicos e professores universitários. Entres os jornalistas com forte atuação nas redes sociais destacam-se Jota Ninos, Ormano Souza, Fábio Barbosa e Miguel Oliveira, e entre os blogueiros foi notado o envolvimento direto de Edinei Ferreira e Iromar Cardoso(Xarope do Povo). Os professores Anselmo Colares, João Renato Mendonça, Dayan Serique e Everaldo Portela usaram seus perfis nas redes sociais para mobilizar votos e diminuir a abstenção, o mesmo ocorrendo com o advogado Luiz Pixica e dos médicos João Alho Teixeira e Juliana Almeida. A cantora Priscila Castro, secretária municipal de Cultura, liderou um grupo de fazedores de cultura.
Dos políticos, a campanha de Lula contou com a atuação do deputado Airton Faleiro e da deputada estadual Maria do Carmo, além do vereador licenciado Junior Tapajós(MDB).
Os números finais, entretanto, não mostram um crescimento expressivo da votação de Flávio em Santarém. A diferença de apenas 1.034 votos entre os dois turnos contrasta com o contingente de eleitores que havia optado por candidatos eliminados da disputa presidencial.
Entre eles, Augusto Cury recebeu 5.600 votos no primeiro turno, Renan Santos obteve 3.856 e Ronaldo Caiado somou 2.233. Juntos, os três candidatos concentraram 11.689 votos. Outros concorrentes, como Samara, Zema, Clariana Barão, Hertz Dias, Edmilson Costa e Rui Costa Pimenta, também tiveram suas votações registradas no município.
Ainda assim, a diferença entre os crescimentos de Flávio e Lula fornece um dado relevante para a avaliação do cenário político local. Enquanto o candidato do PL praticamente manteve sua votação original, o petista conseguiu incorporar mais de 11 mil votos ao seu total.
Em Santarém, a principal marca numérica do segundo turno foi o crescimento bastante desigual das duas candidaturas. Flávio Bolsonaro preservou a dianteira registrada na primeira votação, mas acrescentou pouco mais de mil votos ao seu resultado. Lula, por sua vez, ampliou sua votação em quase 12 mil. O contraste transforma o desempenho eleitoral entre os dois turnos em um indicador importante para analisar a força das alianças políticas locais e a capacidade de mobilização das lideranças que entraram na disputa em apoio aos candidatos presidenciais.

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