quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

SANTA CASA ULTRAPASSA A MARCA DE 30 TRANSPLANTES HEPÁTICOS E 90 % DE SOBREVIDA DOS PACIENTES TRANSPLANTADOS NA INSTITUIÇÃO

Unidade planeja novos investimentos, embora recusa familiar ainda seja o principal entrave para salvar mais vidas
Mariza Gemaque e Maria Anunciação foram transplantadas no final de 2025 e se recuperam bem da cirurgia, sendo acompanhadas semanalmente na Santa Casa. 
Para elas, o transplante de fígado significou uma nova chance de vida, o que só foi possível com a doação de órgãos. “Graças a Deus, estou muito feliz. 
É o renascimento. 
Eu vivia com a barriga grande, não podia vestir minhas roupas e agora eu me sinto muito bem, graças a Deus, muito feliz, tanto de aparência como de saúde. 
E já estou aumentando de peso, porque fiquei muito magra”, conta Maria Anunciação, que aguardava há oito meses na fila de transplante.
Em 2025, a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará realizou 16 transplantes hepáticos em pacientes adultos e superou a marca de 30 transplantes realizados desde o início do serviço de transplante de fígado na instituição, consolidando o serviço no Pará, considera o responsável técnico do Transplante Hepático da Santa Casa, Rafael Garcia. 
“Já ultrapassamos um marco importante, que foram 30 transplantes e estamos realizando casos mais complexos, o que permite que a população seja atendida sem precisar se deslocar para outros Estados, o que sabemos ser uma barreira importante ao tratamento”, afirma.
A alta taxa de sobrevida dos pacientes garantiu ao serviço de transplante da unidade uma elevação na classificação de qualidade definida pelo Sistema Nacional de Transplantes, vinculado ao Ministério da Saúde.
“Nossa sobrevida é de 90%, o que fez com que fôssemos reconhecidos pelo Ministério da Saúde com uma classificação de qualidade que gera um incremento de 60% nos repasses financeiros feitos para a Santa Casa nos procedimentos relacionados ao transplante. 
Só não atingimos o nível máximo porque não conseguimos fazer mais transplantes", completa.
Em 2026, a Santa Casa ainda não realizou nenhum transplante, mas a expectativa é dobrar o número de transplantes em relação ao ano de 2025. 
“Gostaríamos de dobrar o número em relação a 2025, o que é plenamente factível, pois atualmente temos capacidade para realizar mais de 50 transplantes por ano. 
A nossa única limitação é a doação, que apesar dos avanços dos últimos dois anos, ainda é muito baixa”, esclarece Garcia.
Segundo informações da Central Estadual de Transplantes, a recusa de muitas famílias em doar os órgãos de seus entes falecidos é o principal entrave para o aumento do número de transplantes no Pará e, por isso, o Estado vem reforçando o investimento em campanhas de sensibilização da população e maior capacitação dos profissionais de saúde, como explica o coordenador estadual de transplantes do Pará, Alfredo Abud.
“No Pará, a gente tem uma taxa de recusa de mais de 60 por cento, ou seja, de cada dez possíveis doadores, seis negam a doação. 
Para que isso diminua, a gente precisa, com certeza, levar ainda mais as campanhas para a população, mostrando a importância e que o momento do aceite na doação faz toda a diferença, o quanto isso pode ajudar as pessoas que estão em lista. Então esse, sem dúvida, é um desafio para 2026. 
Sensibilizar a população e preparar melhor o profissional de saúde para que a gente possa ter melhores números e reduzir a taxa de recusa”, ressalta o coordenador.
Avanços
Mesmo com o desafio de aumentar a aceitação das doações, o ano de 2025 foi de muitos avanços para o cenário de transplantes no Estado. “Foi um ano em que a gente bateu recorde, principalmente em doação e transplante de órgãos sólidos, falando de fígado e rim para o Estado do Pará e nós conseguimos realizar captações em hospitais do interior do Estado, que antes nunca tinha acontecido. 
Também foi um ano de desenvolvimento pedagógico-educacional. Nós conseguimos realizar o primeiro congresso amazônico de transplante em parceria com a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, que foi de muito aprendizado, trazendo pessoas importantes no cenário nacional do transplante, e realizamos mais de 300 capacitações de médicos habilitados em realizar certificação de diagnóstico de morte encefálica. 
Então, foi um ano que fecha muito positivo, com balanço bem positivo em relação ao cenário do transplante do Estado”, conclui o coordenador .
Fonte : Agência Pará
Blog do Xarope via Agência Pará

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