sábado, 20 de junho de 2026

A dor pode se tornar cenário para a obra de Deus

Em meio à dor, às perguntas sem resposta e às crises que parecem não fazer sentido, os porquês chegam aos nossos ouvidos como uma súplica por resposta que faça sentido.
(Imagem ilustrativa gerada por IA)
Pastora e psicóloga, coach, especialista em Educação, autora dos livros Na intimidade há cura, Viva sem compulsão e A equação do amor. Foi gestora do Núcleo Assistencial Heliópolis, onde implantou diversos programas educativos.
A dor pode se tornar cenário para a obra de Deus
Em meio à dor, às perguntas sem resposta e às crises que parecem não fazer sentido, os porquês chegam aos nossos ouvidos como uma súplica por resposta que faça sentido .Tenho atendido pacientes com questões bastante sérias de saúde e de relacionamentos familiares. 
Mas, algo que costumo transmitir a eles, é que tudo o que enfrentamos tem um propósito e, para aqueles que têm fé, essas experiências se tornam o cenário onde Deus revela graça, cuidado e poder transformador.
É claro que, como profissional, entrego todas as orientações, intervenções e recursos terapêuticos necessários para que cada pessoa avance em seu processo de cura.
Mas também reconheço que há dimensões da dor que ultrapassam o que qualquer técnica pode alcançar. 
É nesse ponto que a fé se torna um chão firme: não como fuga da realidade, mas como força que sustenta enquanto enfrentamos a realidade.Quando integramos cuidado clínico e confiança em Deus, algo profundo acontece: o sofrimento deixa de ser apenas um peso e passa a ser um espaço onde o coração pode ser restaurado, onde novas percepções surgem e onde a presença Dele se revela de maneiras inesperadas.
Em meio à dor, às perguntas sem resposta e às crises que parecem não fazer sentido, os porquês chegam aos nossos ouvidos como uma súplica por resposta que faça sentido: “Por que, pastora?”, “Por que, doutora?”.
E, honestamente, enfrentar essas dores também é um desafio para nós que estamos na escuta. 
Acompanho cada história com responsabilidade técnica, mas também com a consciência de que há sofrimentos que tocam lugares onde apenas Deus alcança.Penso que, para Jesus, também era assim. 
Mesmo sendo o Filho de Deus, Ele se deparava com dores humanas profundas, com súplicas por respostas. 
E é justamente por lembrar disso que recorro a uma de suas respostas: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que Ele enviou” (João 6:29).
Aqui aprendo com Ele que, antes de qualquer explicação, Deus nos chama à confiança. 
A obra de Dele começa na fé.
Quando os discípulos encontraram o homem cego de nascença, enxergaram a situação pela lente da culpa. Perguntaram: “Quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (João 9:2). 
Era uma tentativa humana de organizar o sofrimento em categorias simples: alguém deve ter errado para que algo tão difícil acontecesse.Ainda hoje fazemos o mesmo. 
Diante de uma enfermidade, do fim de um relacionamento, da perda de um emprego ou de uma crise emocional, muitos perguntam: “O que eu fiz de errado para estar vivendo isso?”. 
A culpa, muitas vezes, torna-se o centro da história.
A resposta de Jesus, porém, desloca completamente o foco da discussão: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9:3).
Isso não significa que Deus tenha criado a cegueira apenas para depois curá-la. O que Jesus está ensinando é que aquela condição não definia a identidade daquele homem, nem seria capaz de impedir a manifestação da graça divina. Sua história não terminaria na limitação. 
O sofrimento não teria a palavra final.Ao longo de minha vida profissional tenho testemunhado pessoas dominadas pela culpa. 
E elas tendem a viver aprisionadas em sentimentos de vergonha, impotência e desvalorização. 
Quando não colocam a culpa em si, a colocam em alguém. Lembra-se de Adão e Eva?
A culpa excessiva rouba a esperança e dificulta a percepção de possibilidades futuras. 
Jesus, ao contrário, faz com que o ser humano olhe além da pergunta “Por quê?” para descobrir “E agora?”.
Em vez de permanecer preso à busca incessante por culpados, abre-se espaço para perceber como Deus pode agir, sustentar, fortalecer e transformar mesmo em meio às circunstâncias mais difíceis.
Em João 6, Jesus afirma que a obra de Deus começa com a fé. Em João 9, essa fé torna-se visível por meio da ação transformadora de Cristo na história daquele homem.A cura física aponta para algo maior: a revelação de quem Jesus é. 
Podemos afirmar, então, que a obra de Deus começa com a fé em Cristo; manifesta-se através da ação transformadora de Cristo; não é anulada pelo sofrimento humano; e, muitas vezes, é justamente nos contextos de dor, limitação e adversidade que a glória de Deus se torna mais evidente.
Algumas experiências da vida tornam-se o palco onde Deus revela Seu cuidado e Seu poder.
Talvez você esteja atravessando uma fase em que as perguntas se acumulam e as respostas parecem distantes.Talvez tenha repetido inúmeras vezes: “O que eu fiz de errado para estar vivendo isso?”.
Hoje, Jesus te convida a mudar o sentido da pergunta: “Como Deus pode se manifestar na minha história a partir daqui?”.
Você perceberá que, mesmo antes de entender cada detalhe, já pode descansar na certeza de que Deus permanece presente, trabalhando silenciosamente em seu favor.
O Pai ama você.
Darci Lourenção (@pra_darci_lourencao) é psicóloga, pastora, coach, escritora e conferencista. Foi Deã e Professora de Aconselhamento Cristão. Autora dos livros “Na intimidade há cura”, “A equação do amor”, “Viva sem compulsão” e “Devocional Minha Família no Altar”.
* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
Fonte  : Guiame 
Blog do Xarope via Guiame. 

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