Às onze da manhã desta quarta-feira, 9 de setembro, o Supremo cancelou a sessão do plenário.
| Vorcaro teria pedido cerca de 24 milhões de dólares, em mais de 10 subscrições, das quais apenas sete teriam se concretizado. |
Um assessor com 27 anos de casa disse, em tom reservado, a Mônica Bergamo, da Folha, que nunca tinha visto aquilo.
Não era feriado nem recesso, e a corte que condenou uma tentativa de golpe não via clima para que seus ministros passassem uma hora na mesma sala.
A primeira análise que escrevi na semana passada, em que trato das 24h de revelações sobre o Master e Vorcaro, terminava em 2 de setembro, com três atos e a granada sem pino no STF.
A sequência de eventos, desde então, escalou e não só manteve a granada sem pino, como também fez surgir minas terrestres pelo carpete do Supremo.
A metáfora cabe num momento em que o método de André Mendonça fica ainda mais claro diante do calendário eleitoral, e não necessariamente do processual.
Faltam 25 dias para o primeiro turno.
Em 2 de setembro, o Partido Novo, que disputa a Presidência com Romeu Zema e, como sabemos, é próximo a Flávio Bolsonaro, pediu “providências” contra o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Como já sabemos, Mendonça afastou Andrei Rodrigues nesta terça-feira, 8 de setembro, um dia após Mendonça ganhar o título de mártir e salvador na avenida Paulista com direito a boneco inflável gigante, ao lado do boneco de Trump, como mostrou nossa cobertura na Agência Pública.
O ministro Flávio Dino, por sua vez, reintegrou Andrei por meio de uma terceira liminar, transformando o caso em uma “guerra de liminares”.
Dino descreve o ato do colega Mendonça como a suspensão das “atividades de inteligência da Polícia Federal do Brasil” e também escolheu o seu viés: usou o inquérito das emendas do Dark Horse, que encosta em Flávio Bolsonaro.
Sobre isso, a novidade é a homologação da delação premiada de Antonio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos — decisão do próprio Mendonça, nesta quarta-feira, e mantida sob sigilo.
O delator teria detalhado 12,333 milhões de dólares repassados ao fundo texano Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado e filho 03 do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, entre janeiro e setembro de 2025, o que equivale a cerca de R$ 69 milhões.
Vorcaro teria pedido cerca de 24 milhões de dólares, em mais de 10 subscrições, das quais apenas sete teriam se concretizado.
O que importa é a data.
Flávio disse, em maio, à GloboNews, que o último pagamento de Vorcaro fora feito em maio de 2025.
A delação, no entanto, poderia confirmar uma transferência posterior, de 1,666 milhão de dólares, em setembro — exatamente o que o relatório do Coaf, revelado pela revista piauí, já apontava.
A PF apura se parte do dinheiro custeou a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, o que ele nega.
Ao menos publicamente, nenhum dos ministros em conflito parece confiar na capacidade do presidente Fachin de gerir a crise, e todos tentam se antecipar a ele.
Os treze ministros aposentados do STF foram gentis na forma e duros no conteúdo da carta que enviaram à Corte na terça-feira, 8 de setembro.
Dizem ter “plena confiança na seriedade, no discernimento e na firmeza” de Fachin e pedem que a sessão seja realizada “com toda a urgência”.
O Grupo Prerrogativas também cobrou a discussão em plenário.
Nesta quarta, 157 personalidades assinaram o manifesto “Pela Lei e pelo Brasil” — entre elas Luciano Huck, Luiza Helena Trajano, Armínio Fraga, Gustavo Franco, Maílson da Nóbrega, Pedro Parente e Nelson Motta —, que pede apuração “completa, célere e independente” e afirma que “as notícias que vieram a público nos últimos dias não constituem um episódio isolado.
São a consequência de um sistema doente, que deixou de aplicar a si mesmo os freios que impõe a todos os demais”, diz o texto, que lembra: “estamos a poucas semanas das eleições”.
Fonte : Agência Pública .
Blog do Xarope via Agência Pública .
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