À luz da sabedoria bíblica, o descanso é apresentado como parte essencial da vida, um tempo de renovação, amadurecimento e transformação silenciosa.
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O descanso, nessa perspectiva, não é ausência de vida, mas parte do compasso que sustenta a criação. |
Descansar enquanto dormimos? O corpo, a carne, pede por isso! Há uma sabedoria silenciosa no repouso que muitas vezes esquecemos de escutar.
Nem toda transformação acontece no movimento.
Essa percepção encontra eco na antiga sabedoria bíblica, que reconhece um tempo próprio para cada experiência: tempo de plantar, tempo de colher, tempo de silenciar e tempo de falar (Eclesiastes 3:1–7).
O descanso, nessa perspectiva, não é ausência de vida, mas parte do compasso que sustenta a criação.
Há momentos em que avançar significa permitir que o interior se aquiete, sem culpa e sem pressa.
A primavera chega, inevitavelmente, depois do inverno.
Não por atraso, mas por fidelidade ao seu próprio ciclo.
A natureza não se apressa para florescer, e talvez nós também não devêssemos.
Os ciclos da terra também aparecem nas palavras de Jesus sobre as sementes: elas crescem de modo misterioso, muitas vezes sem que se perceba como, até que chegue o tempo da colheita (Marcos 4:26–29). É uma imagem delicada para lembrar que nem tudo depende do nosso esforço consciente.
Existem processos profundos acontecendo enquanto dormimos, esperamos e simplesmente permanecemos.
As rosas do nosso jardim precisam de nós, dos batimentos cardíacos únicos do nosso coração, para alcançar aquele tom específico de vermelho.
Um matiz que a planta anseia por exibir! Assim, cada pausa guarda um sentido.
Cada silêncio protege uma possibilidade.
E cada coração carrega uma cor singular que nenhum outro pode oferecer ao mundo.
Também somos convidados a observar os lírios do campo, que crescem sem ansiedade e, ainda assim, revelam beleza em sua estação (Mateus 6:28–29).
Essa imagem não despreza o cuidado ou a responsabilidade; apenas nos recorda de que a vida não se sustenta somente pela tensão.
Há uma beleza que nasce da confiança, do acolhimento dos limites e da abertura para receber o que não pode ser produzido à força.
Viver é confiar que nos períodos de recolhimento e descanso algo belo continua florescendo dentro de nós.
Por isso, descansar pode ser um gesto de esperança.
Como sugere o Salmo 127:2, o sono também pode ser recebido como dádiva, não como interrupção do caminho.
Quando o corpo repousa e a mente desacelera, a vida continua sua obra discreta.
Talvez o descanso também crie: espaço, clareza, cura, raízes e novas formas de presença.
Que cada pausa seja acolhida com gentileza.
Que cada inverno interior encontre tempo para cumprir seu propósito.
E que possamos reconhecer, sem cobrança, o florescimento silencioso que acontece quando confiamos no ritmo da vida.
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Texto de Carlos Jose Hernández (psiquiatra, doutor em medicina) e Clarice Ebert (formada em psicologia, terapeuta familiar e de casais, mestrado em teologia)
Clarice Ebert (@clariceebert) é psicóloga (CRP0814038), Terapeuta Familiar, Mestre em Teologia, Professora, Palestrante, Escritora. Sócia do Instituto Phileo de Psicologia, onde atua como profissional da psicologia em atendimentos presenciais e online (individual, de casal e de família).
Membro e docente de EIRENE do Brasil.
* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
Leia o artigo anterior: O outro não é objeto, é palavra!
Fonte : Guiame .
Blog do Xarope via Guiame .

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