Maria do Carmo Carneiro foi condenada no âmbito cível a indenizar os pais do adolescente por danos morais e materiais.
Impacto foi tão violento que motor da BMW foi arrancado e veículo pegou fogo — Foto: RPC |
Na esfera criminal, a Justiça decidiu que ela deve ir a júri popular, mas a defesa recorreu e aguarda nova decisão.
Maria do Carmo Carneiro, de 78 anos, foi condenada a indenizar em mais de R$ 2 milhões os pais do adolescente Anthony Pietro, de 14 anos.
Anthony não resistiu aos ferimentos e morreu.
Maria do Carmo chegou a ser presa em flagrante e foi indiciada pelos crimes de homicídio doloso com dolo eventual — quando se assume o risco de matar —, lesão corporal culposa agravada, condução sob influência de álcool e por dirigir com carteira de habilitação suspensa.
A condenação foi decidida pelo juiz Marco Antonio dos Santos, na Vara Cível de Peabiru.
A sentença reconheceu a culpa da motorista pelo acidente, devido ao excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas e fortes indícios de embriaguez.
Na decisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 2 milhões por danos morais, divididos entre o pai e a mãe de Anthony.
| Anthony Pietro ,de 14 anos , morrreu após BMW bater no carro em que ele estava - Foto : Arquivo familiar . |
Também solicitou que Maria do Carmo pague R$ 31.257,76 por danos materiais, devido a despesas hospitalares e com o funeral do adolescente.
Contudo, o juiz negou os pedidos de pensão vitalícia, pagamento de tratamento psicológico e psiquiátrico e indenizações futuras, por entender que a família não dependia financeiramente do adolescente.
Na esfera criminal, a Justiça decidiu que Maria do Carmo deve ir a júri popular, mas a defesa recorreu e aguarda nova decisão.
➡️ No Brasil, o júri popular é um instrumento que permite à sociedade julgar certos crimes de interesse social.
Ele é previsto para os casos de crimes dolosos contra a vida, entre tentados ou consumados.
São exemplos desses crimes os homicídios, infanticídios, abortos ou participação em suicídios
O advogado dela foi procurado, mas informou que não vai se manifestar sobre a condenação.
Wellington Ferreira Kachicosk, advogado da família de Anthony, disse que a sentença ainda será analisada e há a possibilidade de recurso.
"A sentença foi recentemente publicada e ainda será objeto de análise técnica, havendo a possibilidade de oposição de embargos de declaração para sanar eventuais omissões, contradições ou obscuridades eventualmente existentes.
Além disso, há tratativas em andamento entre as partes acerca de uma possível composição consensual nesta fase processual, circunstância que recomenda cautela quanto a manifestações públicas mais aprofundadas sobre o caso", disse o advogado.
O que diz a sentença
O g1 teve acesso ao documento da sentença.
Nela, consta que o juiz tomou a decisão de condenar Maria do Carmo com base no laudo da perícia e no parecer técnico contratado pelos pais de Anthony.
Ambos os documentos apontaram que a BMW invadiu a pista contrária, em uma velocidade muito acima do limite.
Conforme os laudos, o veículo atingiu a velocidade de 137 km/h, enquanto o limite permitido na via era de 80 km/h.
A defesa tentou argumentar, por meio de um parecer técnico, que a motorista teve a visão ofuscada pelo sol em uma curva no local. Porém, o argumento foi rejeitado pelo juiz, que apontou erros técnicos e disse que as testemunhas contradisseram a versão da denunciada.
Além disso, foram listados indícios de que Maria do Carmo estava bêbada.
Segundo o documento, enfermeiros e o pai de Anthony disseram que ela estava com odor etílico e que apresentou "comportamento ríspido e fora da realidade".
Também consta que a motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro, depois que um médico da família chegou ao hospital e interveio no atendimento.
Durante as investigações, a polícia ainda comprovou, por meio de consultas ao Infoseg e ao Detran, que a mulher estava com a CNH suspensa.
Segundo os documentos anexados nos autos dos processos, a suspensão ocorreu devido à reincidência e ao acúmulo de infrações de trânsito de natureza grave e gravíssima, além de excesso de velocidade e direção perigosa.
Relembre o acidente
Luiz Thiago Rosa, pai de Anthony, afirma que não conseguiu desviar do carro de luxo, que, segundo ele, estava em alta velocidade e andando pela pista em zigue-zague.
O impacto foi tão violento que o motor da BMW foi arrancado e o veículo pegou fogo às margens da rodovia.
O pai contou que ele e o filho voltavam para Araruna, onde moravam.
Os dois tinham ido a Campo Mourão, onde o adolescente fez uma prova para ingressar no ensino técnico da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
"Ele morreu com o gabarito na mão. Antes, ele falou 'pai, eu acho que passei'.
Ele só queria estudar", lamenta o pai.
De acordo com a família, Anthony era um adolescente tranquilo, com aptidão para a música.
O menino gostava de tocar violão, guitarra e bateria.
Gostava também de andar de skate e acompanhar jogos de futebol. Ele deixou os pais e uma irmã mais nova.
Fonte : Peterson Dias, g1 PR e RPC Maringá — Maringá
Blog do Xarrope via Peterson Dias, g1 PR e RPC Maringá — Maringá .
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